Vidros da Amazônia
Tecnologia social
Uma máquina artesanal simples, fácil de difundir pelo ensino comunitário, que transforma garrafas em copos, luminárias, potes e castiçais e desperta a sociedade para o descarte correto.
Criado por Domenico Demasi e Marcelly Câmara, une arte, tecnologia social e economia criativa circular.

Artista e gestor de projetos de economia criativa, coordena as artes e a administração da Casa Verde Itinerante. Idealizador do Vidros da Amazônia, da D-Toy e da escola itinerante DomDarte Malabares.

Estudante de Agroecologia na UEA. Produtora cultural e gestora de projetos de economia criativa. Cuida da comunicação e das redes, leva o Cine Cult Itinerante às comunidades e atua como Agente Territorial do Paul Singer no Amazonas.





Democratizar o acesso à arte e à cultura por meio de experiências itinerantes que promovem inclusão social, sustentabilidade e valorização da diversidade.
Ser referência em itinerância cultural no Brasil, conectando comunidades diversas a experiências artísticas inovadoras que impulsionam o desenvolvimento local e a transformação social.
Arte e cultura são direitos de todos, independentemente de origem, renda ou localização.
Reduzir o impacto ambiental em todas as etapas de cada projeto.
Valorizar a riqueza da cultura brasileira e a multiplicidade de vozes e histórias.
Levar arte ao público com novas tecnologias e linguagens.
Usar a arte para promover diálogo, reflexão crítica e um futuro mais justo.
Tudo começou quando um casal decidiu transformar o dia a dia com criatividade e sustentabilidade. Assim nasceu o El Jardinero BR, dentro de uma charmosa casa de madeira.
Ali funcionavam um café e uma cactaria diferente de tudo o que se via por aí: os cactos eram plantados nos copos de café reutilizados, os mesmos que os clientes tinham acabado de usar. Era um gesto simples, mas que tocou a comunidade, pois cada copo que iria para o lixo ganhava uma nova vida, com uma plantinha dentro.
O casal não parou por aí. O quintal virou espaço cultural, e filmes passaram a ser exibidos sob as estrelas, no meio da horta, com cadeiras improvisadas e um clima acolhedor. Era cinema com cheiro de terra molhada.



Veio então um grande salto. Um prédio comercial, doado pelo pai de Dom, deu origem ao Espaço Cultural Casa Verde, onde arte, tecnologia e impacto social passaram a caminhar lado a lado.
Foi nesse espaço que nasceu o Projeto Vidros da Amazônia. Com eletrônicos doados por amigos e vizinhos, o casal desenvolveu uma máquina artesanal para cortar garrafas de vidro. E ela funcionou: cerca de 30 mil garrafas foram recicladas e viraram copos, luminárias, potes, castiçais e muitos outros produtos criativos. Um sistema de troca completava a ideia, e quem levava garrafas voltava para casa com produtos reciclados. A comunidade abraçou o projeto.
Outras ideias floresceram ali: o Cine Cult Social, com sessões semanais de cinema; a Caixa de Especiaria Solar, criada para secar ervas da própria horta, como ora-pro-nóbis, hortelã, menta e vinagreira, que depois se tornou um projeto de Domenico e Marcelly, virou um desidratador automático e foi publicada em livro; e a D-Toy, uma linha de brinquedos feitos com resíduos recicláveis, com personagens como o Cuco Louco, de madeira, o Cubo-T, de papelão e plástico, e os Magrelos, feitos de fio de cabo de rede.







Com o projeto crescendo, uma nova casa foi alugada a poucos metros dali: a Casa Maker.
Nela moravam Dom e Marcelly, e o espaço abrigava também uma hospedagem urbana de campo, com redário e um campo experimental. Era ainda a oficina onde os protótipos da máquina de vidro foram refinados, até chegar a um design simples e fácil de replicar.
Naquele mesmo ano, a Casa Verde ganhou um pub gastronômico colaborativo, com chefs convidados e uma loja criativa para artistas e artesãos da região. O lugar pulsava cultura e afeto de quinta a terça, e só descansava às quartas.
Mas a missão pedia novos caminhos.
Em setembro, as atividades da sede foram encerradas, e a Casa Verde se tornou oficialmente itinerante.
O destino foi a Comunidade Marcos Freire, uma zona rural onde as necessidades são mais urgentes e o impacto, mais profundo. Ali começaram as exibições, oficinas, palestras e rodas de conversa, todas moldadas à realidade local. Foi lá que o casal aprendeu a ouvir antes de propor e descobriu que o conhecimento da terra já estava ali, nas mãos de quem vive nela.
Foi o ano em que a cultura disse sim: cinco projetos do Cine Cult Social Itinerante foram aprovados pela Lei Paulo Gustavo.
Três deles foram realizados em São Sebastião do Uatumã e em Coari, levando cinema, cultura e lazer a quem tem pouco acesso a espaços culturais. Em Presidente Figueiredo, com recursos próprios, o Cine Cult passou pela Comunidade Novo Rumo, a convite da professora Luciene, e pela Comunidade Marcos Freire, em parceria com a Escola Municipal.
No Dia das Crianças, os moradores de Marcos Freire, com o apoio de parceiros locais, organizaram uma festa com cinema, pipoca, distribuição de brinquedos, pula-pula e até concurso de cabelo maluco.
Os outros dois projetos, aprovados na Lei Paulo Gustavo de Presidente Figueiredo, ficaram marcados para dezembro, com atividades nas comunidades Marcos Freire (km 13 da AM-240) e Jardim Floresta (BR-174, km 120). E vinha uma novidade: um cineclube do Cine Cult, um espaço permanente para fortalecer o acesso ao audiovisual.




E então a terra chamou. Em setembro começava uma nova jornada: o Sítio Guardiões da Floresta, na comunidade Maruaga.
Ali, tudo o que foi aprendido ao longo dos anos finalmente pôde criar raízes. No sítio, a Casa Verde segue fazendo o que sempre fez desde o início: cultivar, reaproveitar, criar e reunir pessoas.
Ali se produzem alimentos, pesquisam-se e desenvolvem-se técnicas agroecológicas, e as portas ficam abertas para que o conhecimento seja compartilhado, testado e replicado por outras famílias e comunidades, como já aconteceu com a máquina de vidro.
As oficinas, as rodas de conversa e o cinema sob as estrelas, nascidos lá no primeiro quintal, encontram agora um novo palco: a floresta viva.
Em outubro, a máquina que nasceu do lixo eletrônico chegou a Brasília. No Festival Curicaca, o festival de inovação e sustentabilidade na indústria criado pela ABDI, o Vidros da Amazônia ficou entre os 40 finalistas do Desafio Nacional de Inovação, em 1º lugar na categoria Economia Circular, e foi à final na Arena BRB representando o Norte e Presidente Figueiredo. O prêmio ficou com outros projetos, mas o caminho seguiu aberto.


Fotos: Equipe Curicaca / ABDI
Em outubro, Marcelly Câmara venceu o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário 2026 pela região Norte, escolhida entre universitários de todo o Brasil.
O prêmio, da Na Prática com a EXAME, reconheceu seis anos de trabalho no interior do Amazonas com a Casa Verde, o Cine Cult Social e o Vidros da Amazônia, e leva Marcelly a uma imersão de inovação na China em 2027. Leia a notícia completa →




O sonho não para por aqui. O próximo passo é criar um instituto, um espaço permanente de pesquisa, educação e inovação socioambiental. E, para que ele nunca deixe de ser itinerante, a ideia é ter também um motorhome ou uma van como extensão móvel, levando a mais lugares o que essa caminhada ensinou.
A casa nunca foi um endereço.
A Casa Verde é o caminho, e ele segue multiplicando.

Uma máquina artesanal simples, fácil de difundir pelo ensino comunitário, que transforma garrafas em copos, luminárias, potes e castiçais e desperta a sociedade para o descarte correto.

Nasceu para secar ervas da horta com a energia do sol e virou um desidratador automático, projeto de Domenico Demasi e Marcelly Câmara.

Cinema itinerante com filmes de abordagem ecológica e social, com destaque para artistas do Norte.

Brinquedos únicos feitos de resíduos recicláveis pelo artista Dom Demasi: o Cubo-T, os Cuco Loucos e os Magrelos dos autômatos.

Escola itinerante de malabares de custo zero. Torna a arte acessível a todos e ainda melhora a saúde física e mental e a visão periférica.
Conhecimentos ancestrais na fabricação de Filtro dos Sonhos, Olho de Deus e Mandala Grega, práticas tradicionais que atravessam culturas e tempos.
Malabarismo, com a DomDarte, e design de Toy Art, com a D-Toy: conceitos, fundamentos e a história por trás dessas expressões culturais das zonas urbanas.
Técnicas e tecnologias de inovação social para que comunidades urbanas e rurais enfrentem desafios atuais com desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Uma oportunidade para crianças, jovens e adultos criarem uma relação mais ecológica com o mundo, conhecendo ideias e práticas de aproveitamento de resíduos que incentivam a sustentabilidade e a criatividade no dia a dia.
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AM 240 Km 07, Comunidade Maruaga